Você já deve ter se perguntado o que é essa tal ansiedade que todo mundo parece sentir.
Calma! Nem toda ansiedade é ruim.
Não??
Não! A ansiedade é um processo natural do nosso organismo. Ela acontece quando estamos esperando algo que se quer muito acontecer, por exemplo uma viagem, a chegada de um filho, uma surpresa… e quando coisas não tão boas estão para acontecer, como quando você sabe que fez algo de errado e está esperando repreensão, ou simplesmente ela aparece pelo não saber!
Mas Dra., como assim? Pensa quando seu chefe, um colega ou até mesmo o seu marido/esposa fala para você: “Mais tarde quero falar com você”
Coração acelera, boca seca, a cabeça vai a mil! Por quê? Porque você não sabe exatamente o que vai acontecer e muitas vezes quando chega na hora de ir à sala do chefe ou para conversar com seu parceiro/parceira, você escuta assim: “Não era nada não, já resolvi” ou seu/sua parceiro fala “Eu queria sua opinião sobre…, mas já resolvi. Obrigado”
E, por que será que isso acontece?
Antigamente essa era uma função adaptativa e essas reações faziam todo o sentido. Imagina a necessidade de se proteger do perigo iminente. Imagina o predador indo na direção do chefe da tribo e ele lá, tranquilo, sem se preocupar em se salvar (luta ou fuga). Não teríamos chegado até aqui, risos.
E qual a importância dessas reações no dia a dia? Então, elas também servem como meio de proteção, proteção da sua integridade física e mental.

Mas… como será que isso acontece no cérebro?
A ansiedade nada mais é do que a ativação do sistema simpático, aquele responsável pelas reações de luta ou de fuga, preparando o nosso corpo para reagir a qualquer estímulo, uma vez que ele entende que você está correndo perigo e precisa reagir o mais rápido possível!
Essa ativação gera aumento da atenção, você fica mais alerta, diminui a salivação, a vontade de ir ao banheiro, os movimentos peristálticos, aumento da circulação sanguínea, dispara o coração, bombeia mais sangue para os membros, aumento da sudorese, pela agitação e, por vezes, tremor.
Vamos pegar uma lupa e olhar mais de pertinho, láááá nos nossos neurônios. O que será que acontece por ali que gera essas reações todas no corpo?
Entre os neurônios existem um espacinho chamado de fenda sináptica. É nesse lugar que ocorrem a liberação dos neurotransmissores, hormônios e outras substâncias. Na ansiedade, é liberado o cortisol, conhecido como hormônio do estresse.
O excesso de cortisol na corrente sanguínea atrapalha o aprendizado, o processamento da atenção, o planejamento de ações, a elaboração de estratégias… características que são fundamentais para um bom funcionamento no dia a dia. E o nível de cortisol, permanecendo elevado por um tempo prolongado provoca algo muito sério no nosso cérebro: a morte de neurônios! (Vamos combinar que isso não é algo que a gente quer, não é mesmo?)
Dependendo da intensidade e da frequência, bem como da forma em que essa ansiedade aparece, ela recebe diferentes nomes, como crise de ansiedade, ansiedade generalizada, fobia social, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de pânico…
A ansiedade, quando ela deixa de ser saudável, ou seja, quando ela começa a atrapalhar a rotina e o bem estar, se estendendo em tempo e intensidade, provoca o rebaixamento das funções cognitivas.
Mas Dra., o que seria isso?
Função cognitiva é a forma que seu cérebro funciona. É como os neurônios estão conversando dentro da sua cabeça, e ela é composta pelos vários tipos de atenção (atenção sustentada, seletiva, alternada e velocidade de processamento), pelas funções executivas (controle dos impulsos, flexibilidade do pensamento, memória operacional, elaboração de estratégia, monitoramento do pensamento, etc), pelos vários tipos de memória (auditiva, visual, de curto prazo, de longo prazo, declarativa, implícita, semântica…), pela linguagem e pela percepção (visual e auditiva).
E Atenção!

Nas crianças, os sintomas da ansiedade podem aparecer como dificuldade para esperar a vez, dificuldade para ouvir até o final, agitação motora, inquietação, fala exagerada, agressividade, dificuldade para respirar, dor de cabeça ou de barriga em lugares específicos (exemplo, escola), preocupação excessiva…
Já nos adultos, os sintomas podem aparecer muito mais internos que externos, como pensamento acelerado, pensamento desordenado, sofrimento pelo futuro, sofrimento por realidade imaginada, confusão mental, agitação interna (não somente motora), insônia, sono agitado, acordar mais cedo que o normal ou querer dormir o tempo todo, tremores, pernas inquietas, sudorese, falta de equilíbrio, taquicardia, com sobressalto, impaciente…
Aqui cabe um alerta! Esses sintomas estão presentes em quadros de ansiedade, mas não são exclusivos desse transtorno. Eles podem vir associados com outra condição médica (depressão e TDAH, por exemplo) e devem ser investigados por profissionais capacitados para que você receba o melhor tratamento possível. Afinal, de nada adianta passar anos tratando a ansiedade e talvez até ser medicado para isso se o seu problema de base for a dificuldade de se relacionar ou em manter o foco e a atenção nas coisas ou até mesmo em fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, concorda?
Tá, agora que eu já sei o que é a ansiedade, como ela funciona e o que ela faz no meu corpo, o que fazer?
Temos vários caminhos possíveis, dentre eles:
- Psicoterapia, que vai te ajudar a descobrir como e porque você se sente dessa forma, a como controlar as crises de ansiedade, a dar novos significados para sua história de vida, com todo o respeito e amor que você merece, elaborando estratégias e criando novos caminhos que você consiga caminhar de forma saudável e protegida.
- Acompanhamento nutricional: o que você come influencia na forma que seu corpo reage a estímulos e na forma que você se sente, podendo aumentar a desatenção, a lentidão para pensar e agir, principalmente após o almoço, a disposição durante o dia…
- Terapias alternativas como prática de yoga, atividade física (academia, caminhadas, esportes… são várias as opções), se proporcionar momentos de bem-estar e relaxamento, se atentar a respiração profunda e calma (que tende a ficar mais rápida e curta na ansiedade), uso de chás terapêuticos (camomila, maracujá, melissa…), dentre outros E, dependendo do nível e da gravidade dessa ansiedade que você está vivendo, acompanhamento com
- Psiquiatra. Esse profissional vai te passar medicamentos, homeopáticos ou alopáticos, para auxiliar o seu organismo na produção de outros hormônios e neurotransmissores e ajudar o neurônio na recaptação dessas substâncias que estão em excesso na corrente sanguínea para que todos esses sintomas melhorem e até sumam.
Não estou aqui elencando tratamentos por ordem de prioridade nem de importância. O mais importante em todo esse processo é você iniciar um caminho de autoconhecimento para decidir qual a melhor opção para você.
“Nem um deles é tão bom quanto todos eles juntos”
Essa frase emblemática marca, em profundidade, descobertas científicas sobre mudanças físicas e estruturais no cérebro quando a psicoterapia é associada a medicação.
Para finalizar, se você está se sentindo assim, ou meio perdido e gostaria de alguma orientação, busque ajuda. Você não está sozinho. Tem muita gente passando por isso e muita gente capacitada querendo te ajudar nesse processo de autoconhecimento e superação.
Vem!