Saúde Mental

Psicoterapia online ou presencial: o que realmente faz a diferença?

Psicoterapia…. muito se fala da importância e da necessidade que “todo mundo” tem de fazer terapia, mas será que isso é verdade?

A psicoterapia, processo terapêutico estabelecido entre duas ou mais pessoas, tem como objetivo promover a melhora na qualidade de vida de quem busca esse serviço, visando utilizar os recursos internos que você já possui e desenvolver outros tão bons quanto ou até melhores, se assim você quiser, para elaborar melhor questões de vida que trazem sofrimento e conflitos internos.

Aqui cabe ressaltar que o Código de Ética do Psicólogo preconiza o sigilo absoluto e o respeito ao que é trazido ao consultório, ou seja, nada do que é falado em sessão pode ser compartilhado com terceiros de espontânea vontade do psicólogo. Isso significa que o que é falado está seguro, de forma protegida e cuidadosa, com todo o respeito que a sua história e suas dores merecem.

Para alcançar esses objetivos existem diversos caminhos, dentre eles a ressignificação dos fatos vivenciados, a criação de novas estratégias para lidar com conflitos iminentes e/ou persistentes, o cuidado com a criança que um dia você foi… E cada profissional tem a sua forma de enxergar o Ser Humano e de conduzir esse processo.

Pensando nisso, retomo a questão anterior: será que a psicoterapia é para todas as pessoas?

E a minha resposta para essa pergunta é Sim, a psicoterapia é para todas as pessoas, mas nem todas as pessoas escolhem percorrer esse caminho. E sabe porque não? Porque para entrar nesse processo e se permitir adentrar o caminho psicoterapêutico do autoconhecimento, exige muita coragem, exige disponibilidade para olhar para si com honestidade e coragem. Coragem para se deparar com seus defeitos, com seus erros, coragem para se ver sem máscaras e talvez perceber que você não é tão bom quanto você imaginou, mas que tem todo potencial para se tornar a pessoa que você quer e merece ser, coragem para entrar em contato com feridas que ainda doem e para encarar tudo isso de frente, sem se enganar e sem tentar amenizar toda a sua história de vida em sua singularidade.

Para as pessoas que tem a coragem de tomar essa decisão de superarem as dificuldades e de serem melhores, existe uma realidade muito diferente da conhecida esperando para ser vivida, para ser desfrutada. Uma realidade próxima com as delícias de se viver, com conquistas, com decisões mais sábias, com contextos que fazem sentido e com os prazeres de existir.

E pensando em tudo isso, qual seria a melhor opção: fazer psicoterapia online ou presencial?

Atualmente, com o avanço das tecnologias e, principalmente, pós pandemia, a psicoterapia online tem sido buscada com mais frequência e algumas pessoas ainda se questionam se é tão eficaz quanto a presencial. Afirmo, com segurança, que as duas tem a mesma eficácia, no entanto, tem pessoas que se sentem mais confortáveis falando através de uma tela e outras que preferem o contato presencial.

A psicoterapia online, embora haja a distância física entre a pessoa e o psicólogo, torna esse cuidado com a saúde mental mais acessível, ficando mais fácil de adaptar a sua rotina atual. Ela pode proporcionar mais conforto por estar na sua própria casa, ambiente conhecido, pode ser uma excelente opção para quem tem dificuldade de sair de casa e de interagir com pessoas, em momentos de crises… permitindo economia de tempo no trajeto para ir e voltar do consultório.

Já na psicoterapia presencial, há outras vantagens como o contato mais próximo, um abraço reconfortante, estar longe do ambiente conhecido para desassociar de algumas emoções e não as levar para dentro de casa, maior facilidade para observar o comportamento não verbal, maior privacidade para aqueles que não possuem um local longe das outras pessoas para fazer a psicoterapia, dentre outros.

Agora que você já sabe que ambas as formas de psicoterapia são igualmente eficazes e cada uma tem suas vantagens, qual seria, então, o melhor momento para buscar ajuda psicológica?

Cada um se encontra em um momento de vida e sabe até onde dá conta de ir. Tem pessoas que preferem buscar auxílio psicológico quando está tudo bem, para se conhecer e para compreender melhor suas escolhas, por outro lado, existem pessoas que buscam quando não aguentam mais suportar o peso das cobranças, das responsabilidades, das frustrações, dos conflitos internos, do cansaço emocional e da sensação constante de que precisam dar conta de tudo sozinhas.

A psicoterapia vai muito além do tratamento de sintomas ou da resolução de crises. Ela é um espaço de encontro consigo mesmo, de descoberta, crescimento e transformação. Por meio desse processo, é possível compreender padrões de comportamento, reconhecer emoções, fortalecer recursos internos e desenvolver novas formas de lidar com desafios, limites e dificuldades que fazem parte da experiência humana.

Algumas pessoas chegam à terapia em busca de alívio para um sofrimento específico. Outras procuram autoconhecimento, desenvolvimento pessoal ou maior clareza para tomar decisões importantes. Independentemente do motivo que leva alguém a iniciar esse caminho, a psicoterapia oferece a oportunidade de construir uma relação mais consciente consigo mesmo e com o mundo ao seu redor.

Nesse contexto, a modalidade, presencial ou online, torna-se secundária diante daquilo que realmente sustenta o processo terapêutico: a qualidade da conexão humana. O que promove mudanças significativas não é apenas o ambiente físico ou a tecnologia utilizada, mas a relação de confiança, acolhimento, respeito e escuta que se estabelece entre terapeuta e paciente.

Quando existe um vínculo genuíno, cria-se um espaço seguro para explorar vulnerabilidades, elaborar experiências, ressignificar dores e construir novas possibilidades. É nesse encontro humano que a transformação acontece.

Talvez essa seja uma das maiores essências da psicoterapia: um encontro entre pessoas, onde uma delas oferece conhecimento técnico, escuta qualificada e acolhimento, enquanto a outra encontra espaço para se expressar, se compreender e crescer. Porque, no fim das contas, mais importante do que a modalidade escolhida é a possibilidade de ser visto, ouvido e acolhido em sua singularidade.